Posted by: goretef | Maio 13, 2008

Arcimboldo e Eckhout - indissociabilidade da relação natureza-cultura

Fizemos, em sala de aula, uma leitura comparativa da obra do artista Giuseppe Arcimboldo com Albert Eckhout, apreciando: a percepção do comum e diferente; como a natureza está representada em suas respectivas obras; como se podem classificar os elementos da natureza e da cultura a partir das imagens, os traços culturais impressos, os contextos e poéticas, descobrindo e realçando os elementos da natureza que as compõem. Teceram-se reflexões acerca da percepção, curiosidades e das experiências culturais que os alunos vivenciavam ao observar os slides, as percepções das relações homem/natureza e natureza/cultura visualizadas nas aulas anteriores.

 

Arcimboldo parte de elementos da natureza, correspondentes a cada uma dos temas que propõe, agrupados sob o formato retrato ou perfil. Os alunos foram estimulados a abstrair, considerando cada um dos detalhes de uma obra separadamente, montando uma personificação imaginária, em cada um dos caminhos simbólicos que ela sugeria.

 

Observamos que ambos, Arcimboldo e Eckhout, são pintores naturalistas. Enquanto Eckhout parte de uma tradição naturalista e descritiva, Arcimboldo subverte-a, superando a idéia de imitação da natureza. O foco da obra de Arcimboldo é a natureza, o seu aspecto simbólico e espiritual – expresso na harmonia e no equilíbrio de cores quentes com tons de verde; detalhista, mas com característica ocultista.

 

Os alunos observaram as paisagens antropomorfas de Arcimboldo, descobrindo corpos e faces humanas, sugeridos pela representação de animais, frutas, flores e legumes. Nas obras de Eckhout, os alunos descobriram as paisagens geográficas, os diversos tons de verde, a cobertura vegetal, atividade produtiva, áreas cultivadas, tecendo as relações com as paisagens de hoje, a previsão do tempo, em cada cena representada – trazendo os exemplos para as paisagens locais de hoje.

 

A professora sugeriu aos alunos, como atividade prática em suas respectivas escolas, algumas técnicas de aprendizagem, como buscas na internet de outros trabalhos, outros autores, fazendo interpretações, releituras das imagens e de temas das obras, com exploração de várias técnicas, como recorte e colagem, massinha, papel camurça, canetinha e sobreposição de fotos. De outra forma, poder-se-ia criar expressões fisionômicas nos legumes, nas abóboras, por exemplo. Analisar o abstracionismo como forma de representação da natureza através do grafismo indígena e das produções de artistas modernos e contemporâneos. Investigar formas de celebração da natureza nas produções de diferentes linguagens e modalidades artísticas. Observar artistas contemporâneos que trabalham com questões ambientais, comportando o processo de criação e os materiais que utilizam. Buscar nessas leituras uma síntese que expresse o espírito da biosfera.

 

Podemos considerar que a arte tem sido um veículo para se transportar o espírito através do tempo. Ao longo dos séculos, pessoas de todas as culturas têm demonstrado em suas artes a sensação de que existe uma totalidade da terra, uma unidade da vida, conhecida, mas não diretamente vista. (Profª Maria Gorete de Figueiredo)

 

Adaptação de Viajando com Eckhout

Respostas

Oi, td bem?

Agradeço pela indicação do meu blog (Verde Social) entre os links. Aproveitei e tb te linkei lá no meu espaço.

Sinceramente, ainda não parei para olhar com calma o seu blog e espero fazê-lo amanhã, mas do pouco que vi até agora, muito gostei…

Apareça sempre por lá!

Abçs!

Olá Bruno,
seu post “Costurando e construindo idéias no MSN” estará sendo discutido em sala de aula. O diálogo que vc estabelece com a Dani, discutindo teorias, conceitos, práticas, etimologias, é oportuno, e está dentro do espírito de nossas aulas. Atualmente, estamos explorando, no curso de especialização em educação ambiental, a indissociabilidade natureza-cultura, a teoria dos sistemas vivos e suas aplicações/implicações no campo da educação ambiental.
Abs
Gorete

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