Publicado por: goretef | abril 18, 2011

O bestiário na poesia de Renato Suttana

Foi ainda menino, nos idos de 1961, em Riachão do Jacuípe, naquele descampado de caatingas, serras e vales, que a presença meiga dos animais se tornou familiar em minha vida. Pois, através do “ABC dos Bichos”, da Editora Melhoramentos, fui alfabetizado por minha doce e terna irmã Maria Angélica.

Recordo, que naquelas manhãs jacuipenses, sentados ficávamos no avarandado da nossa casa, na Rua Nova, e o ruído, os cheiros do papel e as imagens coloridas daquele inesquecível livrinho, estampando imponentes e curiosos animais, jamais se fariam olvidar, e creio que ali se delinearam talvez os meus primeiros passos no universo da “Última flor do Lácio, inculta e bela”, como bem a definiu o poeta parnasiano Bilac.

O bestiário é um gênero literário em que se fala de animais com intenção edificante. E a presença dos bichos sempre foi uma constante para muitos poetas e contistas, fazendo deles como que metáforas da própria condição da existência humana ou tomando-os como exemplos elementares e indissociáveis da personalidade de alguns homens. Há tantos homens-bichos como também há inúmeros bichos-homens. […] Texto na íntegra.

A águia

Uma águia
(só as vejo em livros, mas sei
que são fragmentos alados

de morte e beleza)
captura o exato
com seu olho de águia. –

Vive de ser a medida
que vai da ponta da asa
à ponta da garra.

Por Miguel Carneiro, no Jornal de Poesia

Referências:
“Bichos” (2005), de Renato Suttana, com ilustrações de Nicolau Saião, com 23 poemas. “a visão adulta de um homem diante dos animais, enaltecendo sua beleza, os perigos, os medos, e por ela não perpassa aquela visão ingênua e infantil ao louvar esses nossos amigos, seres irracionais. Remete-nos a celebrar com ele a farta natureza deixada pelo criador para que o convívio com os animais seja pacífico e de respeito.” (MC)

Renato Suttana (n. 1966) é professor universitário e autor dos livros “Visita do fantasma na noite” (poesia, 2002), ” O livro da noite” (prosa, 2005), “João Cabral de Melo Neto: o poeta e a voz da modernidade” (Editora Scortecci, 2005), “Bichos” (poesia, 2005), “Uma poética do deslimite: poema e imagem na obra de Manoel de Barros” (Editora da UFGD, 2009), Fim do verão (poesia, 2009) e Qualquer um (poesia, 2010). Via: O arquivo de Renato Suttana.

Links:

Página de Renato Suttana.

Para baixar os poemas de Renato Suttana e outros livros eletrônicos.

Outras poesias (com tradução de R.S.):

A Deserção dos animais do circo, W.B. Yeats.

O Corvo, Edgar Allan Poe


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