O livro trata da humanização do ensino da área da saúde, substituindo-se o uso de animais vivos (vivissecção) na educação por métodos alternativos (modelos, vídeos, softwares) que demonstram ser tão ou mais eficazes do que o uso tradicional de animais em laboratório.A versão impressa está esgotada.

Versão por capitulos PDF – Livro.

Versão para Download PDF – Livro.

Segundo o Instituto Nina Rosa, “esta versão do livro esta compressa em winrar. Para baixar basta clicar no link, e descompactar. Caso não tenha o winrar istalado no seu computador, instale antes para abrir a pasta.”

A reprodução é livre.

Sérgio Greif  é Biólogo, mestre em Alimentos e Nutrição, co-autor do livro “A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo” e autor de “Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável”.

Via: Instituto Nina Rosa

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Publicado por: goretef | outubro 14, 2011

cerrado

cerrado by Gorete
cerrado, a photo by Gorete on Flickr.

nem tudo
que é torto
é errado
veja as pernas
do garrincha
e as árvores
do cerrado.

[Nicolas Behr]

Publicado por: goretef | outubro 13, 2011

catch me

Não podemos ver a beleza essencial de um animal enjaulado,
apenas a sombra de sua beleza perdida.  ~ Julia Allen Field

Além de curtir o hábito de fotografar, e ainda que não seja uma fotógrafa tecnicamente profissional, mas, intuitiva; também exerço atividades no campo da educação ambiental.
Uma das questões mais controversas que frequentemente me deparo, seja por inquietações próprias ou por questionamentos levantados pelos alunos, é sobre a necessidade, existência e a função dos zoológicos.
Como estudiosa em educação ambiental, reconheço que o zoológico tem vários papéis fundamentais nesse campo, na disseminação do conhecimento e na preservação das espécies.
No entanto, na condição de ‘fotógrafa’, debato-me com minhas próprias contradições.   Afinal, quão ético será fotografar animais aprisionados?
Estaríamos, pretensiosamente ou inadvertidamente, fazendo apologia do lado nefasto da missão dos zoológicos?A natureza, aparentemente perfeita em suas próprias lógicas, nos espanta muitas vezes por parecer incoerente, imperfeita, incorreta. No funcionamento da cadeia evolutiva, em especial da cadeia alimentar, ela expõe as suas idiossincrasias.
Ora, como seres inacabados que somos (olha, o Paulo Freire!), também somos parte dessa biodiversidade. Como parte dela, trazemos impressos nos nossos genes não apenas os bons atributos, como os seus malefícios. Afora os bons e maus costumes que incorporamos ao longo da vida, na convivência com e/ou no manejo de outras espécies, como fauna, flora, e outras coisas tangíveis e intangíveis que nós mesmos criamos.
Embora, na maioria das vezes, tenhamos a noção do que seja a maldade, o crime, a violência contra qualquer espécie; em outras instâncias, temos dificuldade de enxergar (às vezes, nem desejamos) as fronteiras do comportamento considerado  geralmente ético, aceitável.
Dito isso, admito que vejo os dois lados do zoológico: um que vislumbra o caráter educativo, construtivo e reabilitador das espécies; e outro, que cerceia a liberdade, ostentando as mazelas de criaturas indefesas, fora do seu habitat.
Então, questiono:  O fotógrafo deveria recusar-se a registrar os animais aprisionados?  E se o fizer, estará exercendo o elogio da repressão?
Onde fica, assim, o papel dos fotógrafos de guerra, das catástrofes, da vida policial?  Eles não deveriam fotografar? Estariam – em seu papel de informar -, louvando a violência?  Como deve então, se portar, por exemplo, o foto-jornalismo diante da biodiversidade?
Tenho muitas certezas sobre as questões levantadas, mas tenho também algumas incertezas e contradições internas.
Baseada no conhecimento geral, e nas dúvidas ainda  insolúveis, estou buscando fundamentar minha postura sob três importantes e respeitados ângulos de visão que tratamos lá no Flickr:
· A visão que tenho concebido até o presente – Por longos séculos maltratamos a mãe-natureza- por alienação, por maldade, por falta de percepção ambiental, do nosso mundo-lar. Nem conhecemos suficientemente nossos co-habitantes, com os quais fazemos parte dessa mesma biodiversidade. O reconhecimento da biodiversidade é importante porque, conhecendo, entendemos porque precisamos respeitar todas as espécies; respeitando-as, estaremos honrando a nós mesmos. Esse é um dos papéis do zoo, além do conhecimento, a aprendizagem. A outra face do zoo – como eu vejo – é o cuidar mesmo, reabilitar as espécies agredidas, maltratadas; disseminar o como nutrir melhor; e, com essas experiências, auxiliar nas formulações das políticas públicas com vistas à preservação, à melhoria dos seus habitats, ao respeito. É por isso que gosto de registrar em fotografias, ainda que me doa vê-las cerceadas de sua liberdade.
· A visão de quem é “terminantemente contra” zoológicos [1]. – “Sinto muito por esses animais que vivem confinados a pequenos espaços. Sou terminantemente contra zoológicos. Não vejo sentido em manter presos animais que tem toda a imensidão da natureza para viver.” […] “Há muitos anos atrás a Kodak lançou uma campanha publicitária que ainda hoje lembro e acredito ter sido o mais bem sucedido comercial. Trata-se de uma pessoa que antes saia a caçar borboletas e as aprisionava, colocando-as em quadros, em dado momento uma fada arranca das mãos do caçador a pequena rede e lhe entrega uma câmera e ensina a fotografar as borboletas em seu mundo, seu habitat. O caçador passa então a fotografar as borboletas e continua colocando-as na parede, só que agora em fotos. Poderíamos fazer o mesmo, fotografar os animais em seu habitat e não em zôos.”
· A visão de quem reforça o papel dos zoológicos [2] – “Só que hoje em dia, […] os ‘grandes espaços’ destes pobres animais estão drasticamente sendo destruídos – e no Brasil em grande escala – e, se não existissem os zoológicos, várias espécies já estariam definitivamente exterminadas. Já tive oportunidade de acompanhar o trabalho e a preocupação de biólogos e zoólogos europeus com animais em cativeiro e preciso dizer, que estes vivem bem melhor cuidados do que seus familiares na reclamada ‘imensidão da natureza’. Não é a ‘imensidão’ que precisam, mas o bioma, o habitat especial para cada espécie – coisa que esses cientistas criam com perfeição – e certos ignorantes queimam dia após dia ! Acredito até, que zoológicos contribuíram bastante para fortificar e expandir mundialmente a opinião pública em defesa da proteção aos animais! Sabia, que a maioria dos animais em zoológicos bem cuidados tem um ciclo de vida mais longo que na liberdade ?”
E você, notável leitor, o que pensa sobre a existência dos zoológicos? E sobre a fotografia da biodiversidade, e nos zoológicos? Se deseja expressar sua opinião, este canal está aberto para você.
Certamente, esses temas são polêmicos, e não são inválidos os diferentes pontos de vista. É bom lembrar que, na discussão acima, mencionamos aspectos objetivos, técnicos, tangíveis – fáceis de serem confirmados, aceitos ou refutados. Mas, voltando à idéia da cadeia evolutiva, envolvem, também, outros fatores que são subjetivos, éticos, políticos e até espirituais – tornando difícil distinguir os limites do que seja certo ou errado. Enfim, não compete aqui defender visões maniqueístas, senão, abrir um pouco as nossas mentes na direção de um ponto de equilíbrio entre distintas perspectivas sobre a nossa própria existência no seio dessa biodiversidade.
—————————

[Este post é derivado da série de fotos feitas pela a autora no Zoológico de Brasília, que estimularam os pontos de vista expressos acima, muito úteis na reflexão das questões relacionadas ao papel dos zoológicos e à captura de fotos de animais nos zoológicos. A idéia de publicação das opiniões neste blog é de contribuir para esta reflexão.  O post foi originalmente escrito para o blog Eu Bloggo, com a intenção de expandir essa idéia para um contexto legistimamente ambiental, onde a reflexão pode ser ainda mais proveitosa.  Confiro os créditos das opiniões acima aos fotógrafos David Trindade Filho [1] e  Klaus D. Günther[2] .]

Publicado por: goretef | outubro 13, 2011

Sem título

Untitled by Gorete
Untitled, a photo by Gorete on Flickr.
Nas flores, a Terra sorri. ~ Ralph Waldo Emerson
Publicado por: goretef | setembro 26, 2011

Wangari deixa inestimável legado social

Morre a queniana Wangari Maathai, prêmio Nobel da Paz, ícone popular e mundial.

Wangari Maathai morreu ontem,  acometida por complicações causadas por um câncer.

Ela foi uma ativista em favor do meio ambiente e dos direitos das mulheres. Obteve reconhecimento internacional e se tornou popular em seu país. Fundou em 1977 o Green Belt Movement (Movimento do Cinturão Verde), movimento contra o desflorestamento.  Por sua ação nesta área, Wangari recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2004, tornando-se a a primeira mulher africana a receber o Nobel.

Wangari lutou pela biodiversidade, pela geração de empregos para as mulheres e pela valorização da imagem das mulheres na sociedade. O movimento por ela criado admite ter plantado 47 milhões de árvores no continente africano.

Para mim, particularmente, um dos atos mais marcantes de Wangari foi o discurso emocionante que proferiu, ao receber o Prêmio Nobel da Paz, cujo texto transcrevo abaixo:

Discurso de Wangari Maathai por ocasião do recebimento do Prêmio Nobel da Paz de 2004. Oslo, 10 de Dezembro de 2004.

Recebo, humildemente, este reconhecimento e sinto-me profundamente honrada pelo privilégio de ser agraciada com o Prêmio Nobel da Paz. Como a primeira mulher africana a receber este Prêmio, eu o aceito em nome do povo do Quênia, da África, e, na verdade, do mundo. Tenho, em especial, na mente as mulheres e crianças. Eu espero que isto as encorajem a levantar suas vozes e ocupar mais espaços de liderança. Eu sei que esta distinção também dá um profundo sentimento de orgulho aos nossos homens, jovens e velhos. Como mãe, agradeço a inspiração que esse título traz às jovens impulsionando-as a perseguirem os seus sonhos.

Embora esse prêmio me tenha sido dado, ele reconhece o trabalho de incontáveis pessoas e grupos em todo o globo. Eles trabalham silenciosamente, e frequentemente sem reconhecimento, na proteção do meio ambiente, na promoção da democracia, na defesa dos direitos humanos, na garantia da igualdade entre homens e mulheres. 

Assim fazendo, eles plantam sementes de paz. Eu sei, eles, também, estão orgulhosos hoje. A todos que se sentem representados por este prêmio, eu recomendo: utilizem-no para avançarem em suas missões até atingirem as altas expectativas que o mundo deposita sobre nós.

Esta honra também é de minha família, amigos, companheiros e daqueles que nos dão suporte em todo o mundo. Todos eles ajudaram a formatar a mesma visão e sustentam nosso trabalho, que foi sempre desenvolvido sob condições hostis. Sou grata ao povo do Quênia, que permaneceu esperançoso de que a democracia poderia ser uma realidade e que o meio ambiente poderia ser gerenciado com sustentabilidade. Por causa de seu apoio, estou hoje aqui para receber esta grande honraria. É um grande privilégio incluir-me entre os meus companheiros africanos, também, agraciados Nelson Mandela e F. W. de Klerk, Arcebispo Desmond Tutu, Chefe Albert Luthuli, Anwar el-Sadat e Kofi Annan. 

Sei que os cidadãos africanos, onde quer que cada um esteja, serão estimulados por essa notícia. Meus companheiros africanos: ao recebermos este reconhecimento, devemos utilizá-lo para intensificar nosso compromisso com o nosso povo, para reduzir conflitos e pobreza e assim melhorar qualidade de vida dele. Vamos defender o governo democrático, proteger os direitos humanos e proteger nosso meio ambiente. Acredito que haveremos de despertar. Sempre acreditei que as soluções para a maioria dos nossos problemas deveriam vir de nós mesmos. 

Neste ano o Comitê Norueguês do Nobel destacou o crítico tema do meio ambiente e suas ligações com democracia e paz diante do mundo. Por sua ação visionária, eu estou profundamente agradecida. Admitir que desenvolvimento sustentável, democracia e paz são indivisíveis é uma idéia que hoje se consagra. Nosso trabalho durante os últimos 30 anos tem-se voltado para essa realidade. 

Minha inspiração vem em parte de minhas experiências de infância e observações da natureza na zona rural do Quênia. Foi influenciada e nutrida pela educação formal que tive o privilégio de receber no Quênia, Estados Unidos e Alemanha. Enquanto crescia, testemunhava a devastação da floresta para em seu lugar surgirem plantações comerciais, que destruíam nossa biodiversidade local e a capacidade das florestas de conservar nossos recursos hídricos. 

Em 1977, quando comecei o Movimento Cinturão Verde, eu, em parte, respondia a necessidades identificadas pelas mulheres rurais, tais como falta de lenha, água potável limpa, nutrição balanceada, moradia e renda. Em toda a África, são as mulheres as principais guardiãs, que têm a significante responsabilidade de cultivar a terra e alimentar suas famílias. Em razão disso, são elas as primeiras a se preocuparem com a degradação do meio ambiente quando os recursos se tornam escassos e incapazes de providenciar o sustento suas famílias. 

As mulheres com as quais trabalhei diziam já não ser mais possível atender as suas necessidades básicas. Isto devido à degradação do meio ambiente em que viviam, bem como à introdução da agricultura comercial que substituiu o plantio de subsistência. O comércio internacional controlou os preços das exportações desses pequenos produtores impedindo que um justo e razoável ganho lhes fosse garantido. Eu vim a entender que quando o meio ambiente é destruído, saqueado e mal gerenciado, nós solapamos nossa qualidade de vida e a das gerações futuras. 

O plantio de árvores tornou-se uma escolha natural para solucionar alguns dos problemas básicos identificados pelas mulheres. Além disso, o plantio de árvores é simples, tangível e garante rapidamente excelentes resultados. Isto mantém o interesse e o comprometimento. 

Assim, juntas, nós plantamos mais de 30 milhões de árvores que fornecem combustível, comida, moradia e renda para manter a educação de suas crianças e necessidades do lar. A atividade também gera emprego e melhora o solo e os mananciais. Através desse envolvimento, as mulheres ganham certo poder sobre suas vidas, melhorando suas posições econômicas e sociais e suas relevâncias na família. O trabalho continua. 

Inicialmente, o trabalho foi difícil porque historicamente nosso povo foi persuadido a acreditar que em razão da pobreza, lhes falta, também, tecnologia e habilidade para enfrentar seus desafios. São eles, pois, condicionados a crerem que as soluções dos seus problemas devem vir “de fora”. E mais, as mulheres não percebem que o atendimento de suas necessidades depende de um meio ambiente saudável e bem trabalhado. Não estavam conscientes de que a degradação do meio ambiente leva a uma escalada de escassez de recursos que pode culminar em miséria e até conflitos. Estavam ainda desavisadas das injustiças dos acertos econômicos internacionais. 

A fim de ajudar as comunidades a entenderem essas conexões, nós desenvolvemos um programa de educação do cidadão, no qual o povo identifica seus problemas, causas e possíveis soluções. Eles, então, fazem as conexões entre suas próprias ações pessoais e os problemas que constatam no meio ambiente e na sociedade. Eles aprendem que nosso mundo é confrontado com a ladainha do sofrimento: corrupção, violência contra mulheres e crianças, desestruturação das famílias, e desintegração das culturas e comunidades. Eles também identificam o abuso de drogas e substâncias químicas, especialmente entre jovens. Há doenças devastadoras a desafiar a cura ou acontecendo em proporções epidêmicas. 

De particular preocupação são a AIDS, malária e doenças associadas à desnutrição. No front do meio ambiente, eles estão expostos a muitas atividades humanas que assolam o meio ambiente e as sociedades. Nelas se incluí a vasta destruição de ecossistemas, especialmente desflorestamentos, instabilidade climática e contaminação do solo e águas, que contribuem para a pobreza absoluta. No processo, os participantes descobrem que eles fazem parte da solução. Eles se conscientizam de seus potenciais escondidos e são estimulados a vencer a inércia e a agir. Eles vêm a reconhecer que são os guardiões e beneficiários do meio ambiente que os sustêm. 

Comunidades inteiras também chegam ao entendimento de que enquanto é necessário cobrar responsabilidades dos seus governos, é igualmente importante que nos seus próprios relacionamentos, pratiquem os valores da liderança que desejam ver nos seus líderes, tais quais justiça, integridade e credibilidade. Embora inicialmente as atividades de plantio de árvores do Movimento Cinturão Verde não tenham contemplado questões de democracia e paz, logo, logo ficou claro que a responsabilidade de administração do meio ambiente seria impossível sem o espaço democrático. 

Assim, a árvore veio a ser um símbolo para a luta democrática no Quênia. Cidadãos foram mobilizados para desafiar largamente o abuso de poder, a corrupção e a falta de gerenciamento ambiental. No Parque Uhuru de Nairobi, no “Canto da Liberdade”, e em muitos lugares no País, as árvores da paz foram plantadas para exigir a libertação dos prisioneiros de consciência e uma transição pacífica para a democracia. Através do Movimento Cinturão Verde, milhares de cidadãos comuns foram mobilizados durante étnicos conf litos no Quênia quando o Movimento utilizou árvores da paz para promover a conciliação entre comunidades conflitantes. 

Durante a revisão constitucional, em curso, do Quênia, idênticas árvores da paz foram plantadas em muitas partes do país para promover a cultura da paz. Utilizar a árvore como um símbolo de paz é manter a larga tradição africana. Por exemplo, os anciãos do Kikuiu carregavam um cajado de thigi que, quando colocado entre os dois lados da disputa, faziam parar a luta e buscar conciliação. Muitas comunidades na África têm essas tradições. Tais práticas fazem parte de uma extensa herança cultural, que contribui para a conservação dos hábitats e a cultura da paz. Com a destruição dessas culturas e a introdução de novos valores, a biodiversidade local deixa de ser valorizada ou protegida e como conseqüência, rapidamente é degradada e extinta. Por esta razão, o Movimento Cinturão Verde explora o conceito da cultura da biodiversidade, especialmente no que tange a sementes nativas e plantas medicinais. 

À medida que entendemos as causas da degradação ambiental, vemos a necessidade do gerenciamento sustentável. De fato, a qualidade do meio ambiente local é o reflexo do tipo de gerenciamento a ele dispensado, e sem bom gerenciamento não pode haver paz. Muitos países, que têm pobres sistemas de gerenciamento, são também propensos a ter conflitos e pobres leis protetoras do meio ambiente. 

Em 2002, a coragem, persistência, paciência e comprometimento dos membros do Movimento Cinturão Verde, e outras organizações civis, e a população do Quênia, foram responsáveis pela transição pacífica para um governo democrático e lançaram a fundação de uma sociedade mais estável. 

São transcorridos 30 anos desde que iniciei este trabalho. Atividades que devastam o meio ambiente e sociedades continuam a existir. Hoje nós enfrentamos um desafio que nos exige uma mudança de pensar, de tal forma que a Humanidade pare de ameaçar seu sistema de apoio à vida. Nós somos chamados a ajudar o Planeta a curar suas feridas, num processo de cura de nós mesmos, na verdade, abraçar a inteira criação e toda sua biodiversidade, beleza e esplendor. 

Isto acontecerá se enxergarmos a necessidade de restabelecer nosso senso de ser parte da mais ampla família da vida, com quem nós partilhamos nosso evolucionário processo. No curso da história, haverá um tempo quando a humanidade é chamada a mudar para um novo nível de consciência, para atingir um patamar moral mais alto. Um tempo no qual teremos de perder nosso medo e dar esperança a cada um. O tempo é agora. 

O Comitê Norueguês do Nobel desafiou o mundo a alargar o entendimento de paz: pode não haver paz sem desenvolvimento equilibrado; e pode não haver desenvolvimento sem gerenciamento sustentável do meio ambiente, num espaço pacífico e democrático. Esta mudança é uma idéia trazida com o tempo. 

Eu conclamo todos os líderes, especialmente os da África, a expandirem o espaço democrático e construírem sociedades justas que permitam o florescimento da energia e criatividade de seus cidadãos. Aqueles que, como nós, tiveram o privilégio de receber educação, capacitação, experiências e até poder, devem ser modelos para as novas gerações de líderes. Neste aspecto, eu gostaria de pedir a libertação de minha colega agraciada Aund San Suu Kyi, de tal forma que ela possa continuar seu trabalho pela paz e democracia do povo de Burma e do mundo em geral. 

A cultura desempenha um papel central na vida social, política e econômica das comunidades. De fato, a cultura pode ser o link que falta ao desenvolvimento da África. A cultura é dinâmica e evolui no tempo, conscientemente, descartando retrógradas tradições, tais como a mutilação genital feminina (FGM), absorvendo aspectos que são úteis e bons. Que os africanos, em especial, redescubram positivos aspectos de sua cultura. Aceitando-as, elas podem dar-lhes o senso de lhes pertencerem, de identidade e autoconfiança. Há, ainda, a necessidade de unirse a sociedade civil e os movimentos populares para a catalisação das mudanças. Eu apelo aos governos para reconhecerem o papel desses movimentos sociais na construção de uma massa crítica de cidadãos responsáveis, que ajudem a manter o equilíbrio em sociedade. De sua parte, a sociedade civil deve encampar não só seus direitos, mas também seus deveres. 

Mais ainda, indústria e instituições globais devem entender que a garantia da justiça econômica, eqüidade e integridade ecológica são mais valiosas do que lucros a qualquer preço. As extremas desigualdades globais e a prevalência dos padrões de consumos existem à custa do meio ambiente e da co-existência pacífica. Eu gostaria de apelar à juventude a comprometerse com atividades que contribuam para que realize os seus sonhos de longo prazo. O jovem tem energia e criatividade para modelar um futuro sustentável. 

Para os jovens eu digo que vocês são um presente para suas comunidades e mesmo para o mundo. Vocês são a nossa esperança e o nosso futuro. A abordagem holística do desenvolvimento, como exemplificado pelo Movimento, pode ser abraçada e multiplicada em muitas partes da África e além. É por esta razão que criei a Fundação Wangari Maathai para assegurar a continuação e expansão destas atividades. 

Ao concluir, eu reflito sobre minha experiência de criança, quando eu ia a um riacho próximo de nossa casa para trazer água para minha mãe. Eu bebia a água diretamente do riacho. Brincando em volta das folhas de araruta, eu tentava em vão pegar cordões de ovos de sapo, acreditando que fossem colares. Mas toda vez que eu colocava meu dedo por baixo deles, eles quebravam. Depois, eu vi milhares de girinos: pretos, energéticos e serpenteando nas claras águas contra o fundo areia marrom. Este é o mundo eu herdei de meus pais. Hoje, quase 50 anos depois, o riacho está seco, as mulheres caminham longas distâncias à busca da água, que nem sempre é limpa, e as crianças nunca saberão o que elas perderam. O desafio é restaurar o lar dos girinos e devolver às nossas crianças o mundo de beleza e esplendor.

Por Wangari Maathai Ambientalista, Prêmio Nobel da Paz 2004 Tradução: Eli Medeiros Fonte: Revista Eco 21, Ano XIV, Edição 97, Dezembro 2004. (www.eco21.com.br)

Publicado por: goretef | junho 3, 2011

Água: Parte I – Escassez e Uso/Consumo Sustentável

As águas não eram estas, há um ano, há um
mês, há um dia. Nem as crianças, nem as
flores, nem o rosto dos amores…Onde estão
águas e festas anteriores
?”
(Cecília Meireles, Mar Absoluto e Outros Poemas)
[In: “Água”, Ricardo Daher (Secretário Executivo do PNUMA), 2003]

Dentre todos os elementos importantes para a sustentação da vida na Terra, o mais caro, talvez, seja a água. Ainda que três quartos da superfície da Terra sejam recobertos por água (cerca 1,5 bilhão de km3 de água em todo o planeta, contando oceanos, rios, lagos, lençóis subterrâneos e geleiras), encontramo-nos na iminência de enfrentar uma crise sem precedentes de abastecimento de água, uma vez que, apenas uma mínima parte do que o planeta dispõe, serve para abastecer a população.

Vinte e nove países já vivem o dilema da escassez com perspectivas de que esse cenário só tenderá a piorar. Cientistas prevêem que até o ano de 2025, dois de três habitantes do planeta sofrerão, de algum modo, pela escassez, passando sede, ou sujeitos a doenças como cólera, amebíase, e outras mazelas, provocadas pelo consumo de água em péssimas condições. Essa previsão foi feita, pela primeira vez, há 30 anos, em um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU). Hoje, a falta d’água já afeta o Oriente Médio, a China, a Índia e o norte da África. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que, até o ano 2050, cinquenta países enfrentarão crise no abastecimento de água.

É fato que vivemos no presente uma situação inigualável em toda a história da humanidade, pois que o mundo nunca vivenciou uma situação semelhante. Muitas campanhas, muitas iniciativas, tem sido desenvolvidas por órgãos e entidades supranacionais, dos governos e representantes da sociedade civil, no sentido de alertar à população do planeta para a escassez; e de sensibilizar e educar toda a população para o seu uso sustentável.

Em 1992, a ONU instituiu o Dia Mundial da Água , no dia 22 de março, como momento para refletir, discutir e buscar soluções para a poluição, desperdício e escassez de água no mundo todo. Havia-se, além disso, que enfrentar outros desafios – como saber utilizá-la de modo racional; dominar os métodos de consumo de água potável; e buscar condições e técnicas de filtragem adequadas, para um uso mais eficiente e eficaz possível.

É importante conhecermos as implicações que a contaminação da água pode acarretar para a saúde humana. Águas residuais, que não passem por tratamento completo, não são apropriadas para o consumo humano.

Previsões sombrias do Banco Mundial, em 1995, indicam que a escassez da água poderá trazer uma nova modalidade de guerra, ou seja a guerra pelo domínio da água.

O Brasil, não obstante ser um país privilegiado, em cujo território há 20% de toda a água doce superficial da Terra, com 80% desse volume localizaddo na Amazônia; sua disponibilidade não garante o abastecimento de água para toda a população do país. A região semi-árida do Nordeste é a que mais sofre com a seca.

Por tudo isso, é necessário e urgente que representantes e gestores das organizações privadas, das instituições do governo, das entidades do terceiro setor e das escolas, conscientizem e eduquem seus afiliados, empregados e cidadãos, com extensão dessa mobilização e ação pedagógica para as famílias e a população em geral, no sentido de alertar para a ameaça que paira sobre a disponibilidade e qualidade, para consumo de hoje e sempre da nossa preciosa água.

Atualmente, há muitos recursos e canais para difusão do conhecimento sobre a gestão da água, há muitos recursos técnicos e materiais pedagógicos para se exercer uma sensibilização e um processo educativo em todas as instâncias da atividade humana. Muito ainda se produzirá, tendo em vista a situação de contingência, já às vistas dos formuladores de políticas públicas de todo o mundo e e necessidade de abertura de percepção de cada habitante deste planeta.

E como se não bastassem todas as fontes e meios formais de difusão (governo, indústrias, escolas, ongs, mídia, publicações, etc.), ainda se dispõem de uma gama de possibilidades, mediante a difusão oral e participativa, a conscientização crítica por meio do ativismo, da valorização e da disseminação da cultura e do conhecimento tradicional sobre os métodos e hábitos dos nossos antepassados para racionalizar o uso, e manter a qualidade da água, esse bem tão precioso para a preservação da vida humana na Terra.

Declaração Universal dos Direitos da Água

Art. 1º – A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plefamente vesponsável/aos olhos de todos.

Art. 2º – A água é a seiva do nosso planeta.Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.

Art. 3º – Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

Art. 4º – O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

Art. 5º – A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º – A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º – A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Art. 8º – A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

Art. 9º – A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Art. 10º – O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

Referências:

Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente:

A ONU e a Água

Num passado não muito remoto, os conhecimentos de comunidades tradicionais (povos indígenas, afro-descendentes, camponeses, ribeirinhos, extrativistas, ciganos, artesãos, dentre outros) não tinham importância. Recentemente, vem ganhando relevância aquilo que apontávamos como um saber menor, por ter suas origens na tradição oral; e por manter hábitos enraizados ao longo da civilização, sem o aporte do que denominamos ciência –  em que ausência do método científico é apontada critério determinante .

Aqueles que valorizam o saber científico, e o distanciam do saber tradicional, não valorizam o processo de produção secular que gerou tal saber. Mas, não é o saber que não é valorizado e desqualificado. Esse saber agora adquire novos valores e [até] preços no mercado. O que é desvalorizado é o detentor, é a comunidade local que é desvalorizada.

O conhecimento tradicional, que não se refere apenas a um bem material, tem uma dimensão simbólica intangível, relacionada a uma riqueza de valores socioculturais que compõem a identidade da comunidade detentora, e que, ainda,  não é levada em conta pela sociedade de consumo.

Uma série de reportagens gerada pela TV Paraíba, sobre a cultura da comunidade cigana de Sousa, sobre seus valores e suas condições de vida, demonstra que as comunidades tradicionais são sociedades diferentes, porquanto devem ser aceitas e respeitadas, sem que se use este diferencial como diminuidor restritivo de sua dignidade, qualidade  ou como argumento para a sua expoliação, a expropriação de seus recursos e de seus direitos. Os saberes de comunidades, como os dos ciganos de Sousa, não devem ser considerados depreciativamente como crendices banais. Desqualificá-los desta maneira é, também, desqualificar as comunidades, e não apenas o conhecimento em si.

Publicado por: goretef | maio 28, 2011

Valores

A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados.
(Mahatma Gandhi)

Organização alemã de proteção aos animais cria campanha polêmica como forma de protesto aos maus tratos às aves.

Noah, o instituto instituto que atua em em defesa dos animais, usou uma máquina de venda automática de ovos, como campanha para conscientizar as pessoas sobre as condições em que são criadas as galinhas e produzidos os ovos que a população consome. A polêmica campanha denunciou que “68% dos frangos ao redor do mundo tem sido tratados como uma máquina de pôr ovos”,  reforçando os maus tratos e o estreesse que essas aves sofrem dentro dos criadouros.

Detalhes da campanha, no Greenvana Style.

Publicado por: goretef | maio 3, 2011

A vida secreta do caos

Parte I

Parte II

Parte III

Parte IV

Parte V

Parte VI – Final

Estas são as bases matemáticas – surpreendentes e inquietantes – de teorias que Maturana, Varela, Capra, Morin (cada um ao seu modo), vem difundindo há algum tempo. Todas as pessoas, de quaisquer áreas do conhecimento, deveriam ler “A árvore do conhecimento” e “A teia da vida”. Também aprecio muito a abordagem deste vídeo.

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